Associação de Profissionais e Estudantes

Revista Brasileira de Musicoterapia
Ano I - Número 1 - 1996 (Notas finais)


Imprimir esta página

Associação de Profissionais e Estudantes
de Musicoterapia do Estado de São Paulo

 

A APEMESP, Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo, sente-se honrada em estar participando do nº 1 da Revista Brasileira de Musicoterapia, por considerar esta iniciativa da UBAM, União Brasileira das Associações de Musicoterapia, um marco inesquecível na história do desenvolvimento e da credibilidade desta ciência para a profissão.

A APEMESP, após a realização do VIII Simpósio Braseiro de Musicoterapia, em Outubro de 1995, criou um espaço, até então não conquistado, no rol da área científica. Por situar-se, filosoficamente, num caminho fenomenológico-existencial, a associação procura averiguar e tomar viável o resgate da essência sonoro-rítmica do indivíduo e sua maturação, no que diz respeito ao profissional atuante em Musicoterapia. Para tanto, zelando pelo mesmo, numa abordagem humanista, possibilita a seus membros constituintes a segurança de estar trilhando uma estrada holística, tendo uma visão global do "aqui e agora", como repercussão de uma história de vida passada, bem experimentada e determinada. 0 futuro desta preocupação será, sem dúvida, repleto de ações benéficas, que possam proporcionar uma condizente formação.

0 intento da APEMESP está em continuar a luta séria, que vem sendo travada por alguns profissionais, orgulhando-os com atos e realizações, em prol do crescimento organizado, dividido igualmente entre todos, através do conhecimento e objetividade científicos.

A APEMESP espera que haja cooperação e dedicação para com a UBAM, que representa, como o próprio nome indica "UNIÃO", por parte de todos aqueles que acreditam na Musicoterapia, tendo como pensamento central, a clareza de que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"

Maristela Smith
Presidente da APEMESP
(publicado na Revista Brasileira de Musicoterapia, Ano I - Número 1 - 1996)


UNAERP Instala Clínica de Musicoterapia

A UNAERP- Universidade de Ribeirão Preto - é uma instituição que tem como filosofia a regionalização e a sintonia com os avanços do mercado de trabalho e as necessidades da comunidade. 0 resultado dos 72 anos de trabalho da instituição é uma Universidade atualizada, moderna, com infra-estrutura adequada às necessidades de um ensino qualificado. São mais de 7.500 estudantes distribuídos em 21 cursos de graduação, no Programa de Pós-Graduação, Colégio Tecnológico e no Conservatório Musical. A Universidade de Ribeirão Preto, instalada num campus de 110 mil metros quadrados, com 60 mil de área contruída, possui hoje laboratórios de ensino, pesquisa e prestação de serviços à comunidade do nível das melhores universidades brasileiras. São cerca de 50 laboratórios e oficinas para fins didáticos e extensão à população; três clínicas de saúde - Clínica Odontológica, de Fisioterapia e de Musicoterapia -; um laboratório industrial farmacêutico, laboratório de análises clínicas, biblioteca informatizada com acervo de aproximadamente 120 mil volumes, centro poliesportivo completo e teatro com capacidade para 280 pessoas.

As atividades acadêmicas têm movimentado o campus, numa convivência produtiva com o mercado de trabalho e instituições públicas e privadas, resultando numa universidade integrada com as necessidades sociais da região. Atenta ao-desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias, a UNAERP vem investindo na montagem de laboratórios e implantação de projetos que qualificam o ensino e prestam serviços à comunidade em várias áreas do conhecimento.

A estrutura acadêmica da UNAERP é composta por cinco centros de saber que congregam cursos, departamentos e projetos de pesquisa e extensão. São o Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, o Centro de Saúde, o de Comunicação e Arte, o Centro de Educação e o Centro de Ciências Exatas, Naturais e Tecnológicas. Em cada um desses centros há uma intensa atividade didática e são criados ano a ano novos campos de atuação que servem como espaço para estágios e aprendizado prático dos estudantes ao mesmo tempo em que prestam serviços à população.

Clínica de Musicoterapia

Um dos projetos de extensão à comunidade mantidos pela Universidade é a Clínica de Musicoterapia, inaugurada no dia 29 de março, com palestra da professora musicoterapeuta Lia Rejane Mendes Barcellos. A palestra da professora, que é membro do Conselho Diretor e Presidente da Comissão de Prática Clínica da Federação Mundial de Musicoterapia, tratou do tema "A Importância da Clínica Social para Musicoterapia". A Clínica da Universidade de Ribeirão Preto faz parte da estrutura do curso de Musicoterapia que funciona no período matutino. e tem duração de 4 anos.

0 curso possui um currículo voltado ao aprendizado teórico e prático e fundamentado nas mais recentes tendências científicas da Musicoterapia. 0 corpo docente é formado por psicólogos, psiquiatras, musicoterapeutas, neurologistas, antropólogos, especialistas em semiologia, musicistas, entre outros. Para formar um profissional bem preparado e capaz de utilizar todas as possibilidades da Musicoterapia, o curso da UNAERP instalou a Clínica que tem os objetivos de servir como campo de estágio para os estudantes e prestar serviços gratuitos à comunidade numa área de atendimento à saúde que não é disponível no setor público. A Clínica está equipada para atender afianças, jovens e adultos portadores de deficiências físicas, mentais, auditivas, neurológicas, pacientes com distúrbios comportamentais, com dificuldades de aprendizagem, e outras áreas de atuação do musicoterapeuta.

No início deste ano, os docentes musicoterapeutas realizaram a triagem dos pacientes que procuraram a Universidade de Ribeirão Preto para receber tratamentos na Clínica e desde março, os estudantes do 32 ano estão desenvolvendo os tratamentos. A Clínica atende atualmente 30 crianças e adolescentes e até o final do ano, 80 pacientes receberão tratamento musicoterápico gratuito. Os coordenadores da Clínica também pretendem estender o atendimento aos adultos a partir do próximo ano.

0 curso de Musicoterapia funciona no Bloco I, no campus da Universidade , onde trás salas são destinadas à Clínica. As salas são equipadas com instrumentos de sopro, cordas e percussão, aparelhos de som e outros objetos de apoio. Muitos desses equipamentos foram importados pela Universidade para que a Clínica ofereça as mais amplas possibilidades de atendimento.

Com mais este serviço, a Universidade de Ribeirão Preto firma-se como um centro universitário totalmente integrado à comunidade que alia a formação teórica e prática de seus alunos, com a intervenção social necessária à melhoria da qualidade de vida da comunidade.

Maria Helena Cury
Coordenadora da Clínica e do Curso de Musicoterapia.
(publicado na Revista Brasileira de Musicoterapia, Ano I - Número 1 - 1996)

 

 

Musicoterapia no Conservatório Brasileiro de Música

Um grupo de 6 músicos atuantes na produção musical do Rio de Janeiro e com formação sob a orientação dos melhores mestres da Escola Nacional de Música (UFRJ) fundou no dia 02 de abril de 1936 0 Conservatório Brasileiro de Música (CBM).

Seus fundadores, sob a direção do Compositor Oscar Lorenzo Fernandez almejavam realizar uma escota livre de música onde imprimiriam o novo e a ousadia como a marca desta instituição. Amália Fernandez Conde, Antonieta de Souza, Aires de Andrade, Rossini de Freitas e Roberto Gonçalves apoiaram Lorenzo Fernandez no ideal de uma Escola Nova onde os professores teriam a liberdade de realizar experiências no campo da educação e da criação musical. Surge então, em 1937, o primeiro curso de Iniciação Musical sob a orientação de Antônio Sá Pereira e Liddy Chiafarelli, em 1938 o curso de Música Moderna com o compositor Koeireutter, que abriria perspectivas para outras formas decomposição musical como o dodecafonismo.

Sentindo a importância em atenderas necessidades do mercado de trabalho, oficializaria em 1944 os cursos de piano, canto, regência e composição. Durante as décadas seguintes, o movimento cultural do CBM iria atender as demandas do crescimento da cidade e do país na formação de recursos humanos. Cria em 1949 o primeiro curso de Especialização de Professores de Iniciação Musicai e dá início a um movimento musical ínfanto-juvenil através de Festivais de Iniciação Musical (1955-1965) e concursos nacionais e internacionais de instrumento e canto.

A partir do movimento de Iniciação Musical sentiu-se a necessidade de levar a música para toda a criança e o CBM começou então a receber convites de várias instituições que atendiam a crianças especiais, tais como: Pestalozzi, Apae e o Hospital de Engenho de Dentro com a intenção de preparar os profissionais da área de educação e saúde.

A criação do curso de Musicoterapia em 1972 foi outro ato de ousadia e coragem do CBM. Época de graves problemas no país, fez com que um grupo de educadores musicais percebessem ser este o momento de criar um espaço onde a arte teria uma atuação mais ampla no campo da saúde e da educação. Gabrielle Souza e Silva, Doris Hoyer de Carvalho e eu, todas com uma formação superior em música, convidamos o Dr. Rolando Benenzon, musicoterapeuta e psiquiatra argentino, a dar o apoio técnico para que o curso tivesse maior credibilidade e aceitação no meio científico. De início o curso era de 1 ano, passou para 3 e, em 1974, sentiu-se a necessidade de elevá-lo a nível superior com 4 anos de duração, por perceber a seriedade do mesmo e com isto aprofundar mais nas áreas teórico- práticas da Musicoterapia. Teve o seu reconhecimento pelo Conselho Federal de Educação (MEC) em 1978.

Desde o início, o curso de Musícoterapia no Rio teve, como característica, ser um centro aglutinador e irradiador dos profissionais das áreas de saúde, educação e arte, e divulgar os fundamentos da Musicoterapia.

A realização de Encontros, Simpósios, Congressos, convites a musicoterapeutas estrangeiros e brasileiros a ministrarem cursos no CBM permitiu o intercâmbio com musicoterapeutas, médicos, psicólogos, artistas de quase todos os estados do Brasil, países da América do Sul e do Norte, Europa e até Ásia. A relação estreita e afetiva com a Associação de Musicoterapia do Rio de Janeiro muito contribui para esse trabalho de mão dupla receber e passar a informação e formação.

As aberturas dos tersos de Ribeirão Preto, Bahia e Goiás, muito devem a equipe de profissionais do CBM que não mediram e não medem esforços para levar seus conhecimentos a estes locais e construir uma rede de interesse pela carreira da Musicoterapia. Hoje o curso de Musicoterapia do C8M mantém através de sua coordenação vários convênios com diferentes instituições oferecendo uma vasta opção de áreas de atuação de estágios para seus alunos como: estimulação essencial, pré-natal, educação especial, psiquiatria, lesado motor, pacientes terminais, social, drogados entre outros.

A presença de musicoterapeutas brasileiros, professores do CBM, nos quadros da Federação Mundial de Musicoterapia -Lia Rejane Mendes Barcellos (membro do Conselho Diretor e Presidente da Comissão de Prática Clínica) e Marco António Carvalho Santos (membro da Comissão de Prática Clínica) - e eu ser a presidente do Comitê Latino Americano de Musicoterapia, demonstra um reconhecimento ao Brasil pelas instituições oficiais internacionais.

A realização do VIII Simpósio de Musicoterapia em São Paulo deu um outro grande salto ao criar a União Brasileira de Associação de Musicoterapia CUBAM), sonho acalentado há alguns anos e que temos certeza será a unificadora dos ideais da Musicoterapia. Ronaldo Millecco, professor do CBM, é o secretário da UBAM e delegado brasileiro do Comitê Latino Americano de Musicoterapia.

A realização da revista, idéia surgida no VIII Simpósio em São Paulo, e logo apoiada pelas direções da UNAERP, CBM e APEMESP, já permite antever a importância que exercerá na divulgação dos trabalhos e pesquisas dos cursos oficiais de Musicoterapia e dos musicoterapeutas, cobrindo uma grande lacuna no setor de publicações no Brasil sobre as experiências dos seus profissionais.

A preocupação do CBM em atender o grande número de pessoas de outros estados, das áreas de música, de saúde que já atuavam em algumas instituições de educação especial, de doentes mentais e de geriatria, de doentes portadores do vírus H IV, entre outras especificidades, resolveu dar mais um passo para o futuro da Musicoterapia criando a Pós-Graduação em Musicoterapia em 1992 realizada em Módulos nos períodos de férias, janeiro e julho. Hoje dezenas de musicoterapeutas estão concluindo a Especialização em Musicoterapia e o CBM pretende, em breve, poder dar início ao 11 curso de Mestrado em Musicoterapia no Brasil.

A finalidade maior do CBM é poder abrir cada vez mais "canais de comunicação" com todo o país como também de incentivar as pesquisas e as publicações nesta área tão promissora e ainda tão desconhecida pela maioria da população e que deverá ter o compromisso coma melhoria da qualidade de vida do ser humano neste nosso país.

 

Cecília Conde
Diretora Técnico Cultural do Conservatório Brasileiro de Música
Presidente do Comitê Latino Americano de Musicoterapia
(publicado na Revista Brasileira de Musicoterapia, Ano I - Número 1 - 1996)


Todos os direitos reservados.
Nenhum texto pode ser reproduzido sem autorização expressa de seu(s) autor(es).
http://www.ubam.hpg.ig.com.br
1998-2002 © UBAM
Webdesign e webmaster: Ricardo Paes